Gustavo Cunha

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Ethereum: um playground para inovações

*texto publicado originalmente na minha coluna infomoney em 12/dez/2020

O Bitcoin é certamente a criptomoeda mais conhecida e aquela que motiva as discussões mais inflamadas.

O ódio e paixão estão sempre juntos na discussão, mas é inegável que a atenção em relação a ele é crescente – e poucos hoje nunca ouviram falar dele.

As notícias mais recentes, inclusive, têm vindo da compra de Bitcoin por grandes empresas, dada sua característica de reserva de valor para o longo prazo.

Mas hoje não falarei sobre o Bitcoin e sim sobre uma outra criptomoeda, ou mais precisamente, sobre um outro blockchain: o Blockchain da Ethereum, com sua crypto Ether.

As diferenças com o Bitcoin são muitas.

Começam pelo fato de a Ethereum ter um criador que não é anônimo e que tem um papel importante no seu desenvolvimento, Vitalik Buterin.

Esse russo-canadense de apenas 26 anos tomou como base o blockchain do Bitcoin e agregou a ele uma funcionalidade que está causando uma revolução em vários seguimentos, os SMART CONTRACTS.

Visto de uma forma simplista, enquanto o Blockchain do Bitcoin permitiu que as pessoas trocassem valores pela internet sem a necessidade de um validador externo, os smart contracts da rede Ethereum permitiram que essas trocas fossem condicionais.

Por exemplo: quem alguma vez já vendeu um carro no mercado secundário já teve a dúvida sobre receber o dinheiro antes ou depois de passar a propriedade do carro ao comprador. Bem, por meio de smart contracts é possível condicionar a transferência da propriedade do carro ao pagamento por ele.

As duas operações seriam vinculadas e condicionadas uma a outra. Dessa forma, o risco que temos nessa operação seria imensamente minimizado.

Agora, expanda isso para a quantidade de negócios que fazemos hoje, em que uma funcionalidade como essa, ou um desenvolvimento dela, poderia ser utilizada.

Existem inúmeros projetos sob a alcunha de DEFI que se utilizam dessa rede e dos smart contracts.

Projetos de empréstimos, em que o empréstimo só é concedido se, somente se, o colateral é depositado (MakerDAO); projetos em que fees de negociação de ativos são pagos a quem tiver depositado o ativo em um pool (UNISWAP); projetos de emissão de ações/tokens de startups em que a ação/Token só lhe é entregue se você tiver pago por ela. Esses são apenas alguns exemplos.

Mas isso não se limita a inovações no mercado financeiro. Projetos como o da HELIUM, que está criando uma rede descentralizada de conexão de internet das coisas (IOT); projetos de NFT (non-fungible tokens), que tem o Cryptokitties como o mais conhecido; projetos de tokenização de direitos de atletas (como o feito recentemente pelo MB com o Vasco da Gama), entre muitos outros que estão sendo desenvolvidos a todo tempo.

Todos esses projetos só foram possíveis devido à rede de blockchain da Ethereum.

Uma das suas vantagens é ter um padrão de desenvolvimento desses SMART CONTRACTS (o ERC-20 é o mais famoso) que facilita sua implementação.

A crypto dessa rede, o Ether, diferentemente do Bitcoin, não tem emissão limitada, e serve como o fee a ser pago nas transações.

Outro ponto importante da Ethereum é ela ter, na imensa maioria dos projetos, código aberto, o que permite que a inovação seja feita de forma descentralizada, mundial e, sob alguns aspectos, incremental, já que várias bibliotecas com soluções para determinados casos já estão disponíveis e podem ser usadas e encaixadas em projetos diferentes do original.

Para se ter um parâmetro ainda melhor do sucesso da Ethereum, em 2020 devemos ter um volume superior a US$ 1 trilhão de transações. Esse valor é superior à somatória de todas as ações negociadas na B3 em 2019, e maior que o volume total projetado de negócios na rede do Bitcoin em 2020.

Para uma rede que está operacional há pouco mais de 5 anos não é nada mal, não é?

Mas todo esse sucesso trouxe um congestionamento da rede. Com isso, o custo das transferências por ela acabou ficando muito altos.

Hoje, a rede Ethereum suporta algo entre 15 e 25 transações por segundo, o que é muito pouco, se comparado a outras redes como Visa/Mastercard, que suportam algo como 50.000.

Mas o caminho para escalar essa rede já está definido e sendo implementado. O que todos chamam de ETH 2.0 teve seu primeiro passo implementado com sucesso no início de dezembro e deve, durante 2021, aumentar muito a capacidade da rede.

A Ethereum tem hoje um papel essencial em tudo que diz respeito ao desenvolvimento de blockchain, e por que não, na inovação em todos os setores.

Muitos dizem que a Ethereum pode ter uma importância tão grande quanto a da internet nos próximos anos. A ver.

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