Gustavo Cunha

Inovador, empreendedor, economista, administrador, palestrante, professor, estudante, trader, investidor, entrevistador, executivo, pai, marido, filho, ciclista…

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Os 3 fatores que devem estar na cabeça dos investidores em 2020

*publicado originalmente na minha coluna da infomoney em 18/jan/2020

Nesse primeiro post de 2020 gostaria de discutir um pouco sobre investimentos e como a forma de fazê-lo está mudando. Apesar de ser uma discussão bastante em alta recentemente por conta dos cenários de juros brasileiros, há alguns fatores de longo prazo que aparentemente as pessoas somente agora estão percebendo.

O primeiro fator é a continuidade por um tempo demasiadamente longo de títulos públicos de vários países pagando taxas muito baixas e em grande parte deles negativa.

Uma das razões para isso do ponto de vista econômico é não aceitação dos efeitos econômicos da crise de 2008 a valor presente e a tentativa de diluir seu efeito em vários anos. O problema é que era difícil avaliar os efeitos colaterais dessa política, ou seja, o que estamos vendo hoje, onde as grandes economias não conseguem se livrar dessas políticas e reativar suas economias.

Um segundo fator é a maior globalização, que faz os efeitos de transmissão entre os países serem sentidos mais rápidos e em maior intensidade.

Arbitragem de juros é um dos canais de transmissão disso. Tudo mais igual, se os juros nos países desenvolvidos se mantem baixos os juros nos países emergentes tendem a cair também (tanto mais quanto menor o risco individual desse país).

Um terceiro fator que não pode ser ignorado é a tendência a desintermediação que está ocorrendo no mercado financeiro.

Se por um lado isso pode ajudar os mecanismos de transmissão dos juros à economia real, por outro podem complicar o multiplicador bancário (bancos tomando dinheiro emprestado e emprestando). Os estudos preliminares da moeda digital dos Bancos Centrais (CBDC) ressaltam esse fato.

Por outro lado, essa desintermediação faz com que uma nova categoria de investimentos esteja sendo criada no mundo, via as fintechs de crowdfunding e peertopeer lending, que conectam diretamente pessoas/empresas que precisam tomar dinheiro com investidores. Através delas já é possível aplicar diretamente em projetos ou dívida de maneira regulamentada e com uma diversificação e rentabilidade muito maior do que a maioria dos investimentos de risco.

Esses 3 fatores (juros persistentemente baixos, globalização e novas tecnologias) não são fatores que começaram a afetar ano passado. Já estão aí há muito tempo e vem se intensificando.

Dado esses três fatores para investir em 2020 será necessário ter uma cabeça mais global, estar atento as soluções que várias Fintechs estão trazendo e ter a consciência de que o parâmetro de juros do passado (para muitos os famosos 1% ao mês) ficou no passado e não deve voltar tão cedo.

Ótimos investimentos em 2020

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