Gustavo Cunha

Fintrender, inovador, empreendedor, economista, administrador, palestrante, professor, estudante, trader, investidor, entrevistador, executivo, pai, marido, filho, ciclista…

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Reino Unido sai da União Europeia! E agora?

Quem diria? Depois de muita discussão nos últimos anos sobre a saída da Grécia e de outros países (Portugal e Itália entre eles), surpresa: o primeiro a sair foi o Reino Unido! Tudo bem que a saída deles é mais fácil que a de muitos desses países por eles não terem aderido à moeda única (EURO), mas eles faziam parte de todos os outros tratados que envolviam o bloco como, por exemplo, os tratados de livre comércio e livre mobilidade da força de trabalho. E foi nesse último que parece que a balança virou: com a maior sensação mundial de insegurança, e a migração de estrangeiros para a Inglaterra, a população do Reino Unido votou pela saída do bloco dando a mensagem de que quer regras de migração diferentes e mais rígidas. Curioso ver o mapa abaixo onde temos as regiões de Londres e Escócia votando em sua maioria pela manutenção na União.

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E agora vem a pergunta: e aí? o que acontecerá em seguida?

No curto prazo as reações são de um aumento de volatilidade com uma grande correção de preços nas ações e moedas (que estavam precificando a manutenção), uma corrida para ativos menos arriscados (títulos do governo americano e alemão se valorizam bastante) e grupos separatistas de alguns países europeus pedindo plebiscito imediato (vi noticias sobre isso da Franca, Espanha, Holanda e Alemanha). Aqui no Brasil não foi muito diferente, com o Real abrindo a BRL/USD 3,42 depois de ter atingindo uma minima recente de BRL/USD 3,34 e a bolsa caindo mais de 2,50%.

Olhando um pouco mais pra frente, está claro para mim que a União Europeia não venderá essa saída de maneira fácil. A principal razão para isso está na mensagem que eles têm que passar para todos os outros países membros de que não é fácil sair. Se não vira festa! Aqui vale lembrar que muitos desses países estão tendo que enfrentar restrições fiscais (demissão de funcionários públicos, aumentos de impostos, diminuição de programas sociais, ajustes da previdência, etc.) para se adequar aos padrões definidos pela União, o que, por si só, já gera um descontentamento da população. O fato de muitos desses países usarem a moeda única (EURO) complica mais ainda uma eventual saída.

Outro provável efeito colateral dessa decisão é uma postergação do aumento de juros pelo governo americano, que tem ameaçado começar a subir os juros há algum tempo mas tem sido atropelado por fatores externos que aumentam a desconfiança e afetam sua economia. Como todos nós brasileiros sentimos na pele nos últimos meses, uma queda de confiança dos agentes econômicos afeta diretamente o crescimento do país. Essa manutenção dos juros americanos nos patamares atuais por mais tempo, apesar de vir por uma razão de maior indefinição externa, pode ser bastante favorável aos países emergentes (a ver!).

Olhando de um ponto de vista mais estratégico e de longo prazo, a razão da existência da união européia vem de um anseio pós-guerra de que era preciso que os países convivessem e tomassem decisões juntas e essa saída pode ser um ponto de inflexão importante na direção contrária. Uma visão certamente pessimista, mas um crescimento dos movimentos populistas e separatistas na europa já levaram a uma cenário bastante ruim no passado.

Bem, considerando tudo isso e olhando aqui para nós, a saída do Reino Unido é mais um fator de volatilidade e insegurança politica em um mundo já bastante frágil. Apesar da surpresa e correção de preços, eu consigo ver, por dentro de nuvens muito mais densas é verdade, um cenário mais positivo para Brasi: a postergação do aumento dos juros nos Estados Unidos e títulos de longo prazo dos países do G3 com taxas ainda mais negativas podem trazer mais fluxo de aplicadores e investidores para o nosso país.

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